NORMOSE

Recentemente li um artigo na Internet, publicado por Sandra Regina da Luz Ignacio, que me despertou interesse, principalmente por haver identificado em nossa  sociedade a ocorrência daquilo que ela ali explicita.

Bom, o artigo era extenso (quem quiser eu remeto via e-mail na integra, é só solicitar), de modo que a seguir passo a resumi-lo.

Jean Yves Leloup, pioneiro da psicologia transpessoal na Europa, criou um  neologismo pare remeter à perigosa realidade na qual um hábito nocivo torna-se norma de consenso, que leva, inevitavelmente à doença, à destruição, ou ainda à morte, a NORMOSE.

Ela é uma das origens das frustrações, sofrimentos, mas como ela se forma? Quando todos concordam com uma opinião, atitude ou ação, forma-se um hábito. Ora, a grande maioria de nossos hábitos é realizada de forma mais ou menos consciente, em relação aos hábitos que adotamos ao copiarmos nossos pais, educadores, ou ao realizarmos tarefas induzidas por formadores de opinião.  A função dessas normas que adotamos é preservar nosso equilíbrio físico, mental e emocional, e gerar harmonia e sobrevivência da sociedade em que vivemos.  Como dito antes, algumas produzem sofrimento, doenças ou morte, mas como resultam de consenso e são adotadas pela maioria, ou ainda, por  todos no maior das vezes, as pessoas não tem consciência de sua anormalidade, sendo uma característica psicológica das regras.

Algumas pessoas ao serem questionadas acerca disso, podem modificar esse hábito, embora isso não aconteça com regularidade.

Vamos a um exemplo prático: O hábito de fumar. Fumar até pouco tempo atrás era considerado um ato de masculinidade e quanto mais forte o tabaco, mais viril e “macho” seria o homem ( vocês se lembram das propagandas da Marlboro, com seus cowboys (irônico o fato de o principal garoto propaganda haver morrido de câncer no pulmão), ou ainda as propagandas da Holywood que associavam o hábito de fumar à prática de esportes radicais (até parece)?). Pois é, ainda era associado a “status”, riqueza e conforto. Os que fumavam charutos eram os revolucionários e líderes, e os que fumavam cachimbo, eram considerados intelectuais, e a imagem mental formada remetia a um estado de profunda reflexão (Lembram-se de Sherlock Holmes com suas cachimbadas para se concentrar e resolver um crime?).

Ora, os efeitos desse “hábito” foram descobertos, o que gerou reações da sociedade no sentido de se limitar espaços para o consumo, de se alertar para os riscos nas embalagens e  até mesmo pela proibição legal do uso em espaços considerados públicos.

Esse exemplo nos dá a capacidade de aprofundar o estudo desse neologismo. De inicio, era considerado normal (introduz a noção de normalidade), ainda o ato era valorizado (ato de masculinidade), e o ato era estimulado por um sistema de valores distorcido (virilidade, sensualidade, status, riqueza, dentre tantos outros).

Assim se percebe como age a Normose, ela faz com que o indivíduo aceite comportamentos nocivos e aja de forma normal sob um plano ilusório. As pessoas se acostumam com a situação sem questioná-la, agregando o ato ao cotidiano, com conseqüências prejudiciais e significativas.

Uma vez explicado isso, permitam-me agora, dar uma leve “cutucada”, ou estimulada, com um inocente questionamento:

Todos nós (inclusive eu, sim), assistimos diariamente, escândalos políticos, corrupção, desvios de verbas de uma maneira normal. Reivindicamos mudanças, mas ficamos unicamente no discurso com nossos pares, sem atitude efetiva, e, ao invés de trabalharmos para que o mal seja curado pela raiz, somos tentados a nos desviar do problema, afinal não podemos fazer nada.  Encontramo-nos passivos no aguardo das providencias que à autoridade compete tomar e que nunca o serão. Pergunto, quem deve provocar a autoridade para que as providencias sejam tomadas.

Os ambiciosos não têm ética. O comodismo geral da sociedade inibem a credibilidade, o bom senso, e restringem a iniciativa e o trabalho criador necessário  a uma sociedade próspera e equilibrada.

Exemplos suficientes?

Acho que não:

Vejamos no microcosmo de nossos lares: Acima mencionei os “formadores de opinião”. Quem são? Grosso modo, a mídia escrita, falada, televisada, eletrônica e outras ainda. Propagandas enganosas veiculadas por essa mídia sedenta por dinheiro e poder, nos tornam vítimas de maus hábitos e modismos  que dilapidam e denigrem os valores sociais, a cultura, os fazendo assimilar valores vazios, sem sentido, estimulando a obsessão pelo consumo, pela  manutenção de “status”, dentre outras tantas condutas sutilmente interiorizadas, sem qualquer importância para nosso crescimento e desenvolvimento. Praticamos atos duvidosos, somente porque são considerados normais.

Não questionamos.

Mais:

A normose, está também presente na sexualidade. A revolução cultural rompeu padrões rígidos e ultrapassados, porém, acabou por incentivar relações fúteis e passageiras. Ao tentar resgatar a liberdade e a sensualidade, muitos trocam intimidade e espontaneidade por  indiferença e promiscuidade. Substituímos nossos valores, de forma inconsciente, pela INÉRCIA, tornando-os normais.

O que podemos fazer? Tenho para mim que não devemos somente apresentar o problema, e sim apresentar soluções possíveis – ainda que difíceis – e estimular a discussão para chegarmos a algum lugar. Devemos combatê-la.

Uma possível solução é exercitar a autoconsciência frente a esses inúmeros estímulos. Exercitar sabedoria, exercitar a vontade de crescer, caminhar em direção a um futuro próspero, onde o progresso possa ser não só o resultado de transformações transitórias  que urgem serem realizadas, mas acima de qualquer coisa, que se baseiem em valores sólidos e conscientes. Estamos abertos a outras, DEBATAMOS!

Um próximo tema que tentarei desenvolver oportunamente tem relação a este também, é a ACÍDIA.

Sobre omeganeo

"Três coisas agradam a todo o mundo: gentileza, frugalidade e humildade. Pois os gentis podem ser corajosos, os frugais podem ser liberais e os humildes podem ser condutores de homens."
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