Trabalho realizado sobre os princípios alquímicos na Câmara de Reflexões

Bom(oa) Dia/Tarde/Noite meus IIr.’.

O artigo de hoje trata de objeto de pesquisa baseado em uma experiencia vivida por mim quando da iniciação na nossa Sublime Instituição.

Quando dentro da câmara de reflexões, muitos símbolos explodiram em meus olhos e em minha mente, mas talvez, o que mais tenha me chamado a atenção foram os simbolos dos princípios alquímicos ali existentes. Confesso que em um primeiro momento não sabia  estar o galo relacionado ao mercúrio, informação absorvida tempos depois. A riqueza dos detalhes ali depositados acrescido da intensidade das emoções naquele momento vivenciadas me impactou de forma muito profunda e, em razão disso, me impeliu a confecção destes trabalhos. Esta é a primeira parte do que refere ao Simbolismo da Alquimia. As outras duas dizem respeito aos elementos, e sobre os processos alquimicos e serão publicadas oportunamente. Trata-se de um trabalho extenso, por isso dividido em tres partes.

Espero que os IIr.’. aproveitem e, contribuam e enviem  material para enriquecimento da cultura de todos. O material enviado será publicado aqui, com todos os créditos necessários. Sintam-se à vontade.

Desejo a todos um T.’. F.’. A.’. e,

Inté de repente!

. ‘ .                                    . ‘ .                                      . ‘ .

Tema: Alquimia a partir da Câmara de Reflexão (parte 1-Princípios Alquímicos)

“A pedra Filosofal é um Sal perfeitamente purificado, que coagula o Mercúrio a fim de fixá-lo em um Enxofre extremamente ativo. Esta fórmula sintética resume a Grande Obra em três Operações que são: a purificação do Sal, a coagulação do Mercúrio e a fixação do Enxofre”. (In “O Simbolismo Hermético” de Oswald Wirth)

Pedra Filosofal

INTRÓITO:

A jornada do Maçom rumo ao aperfeiçoamento e à participação na Obra legada pelo G.’.A.’.D.’.U.’., principia com seu ingresso na Câmara de Reflexão, onde o então candidato começa a perceber o longo caminho que tem pela frente, ao analisar, com os últimos lampejos da consciência profana, a diversidade e a riqueza simbólica ali inserida. Ali ocorre, quem sabe pela primeira vez, desde o início do processo de vida adulta, a transformação de nossa forma de conceber, agir e concretizar um objetivo. Ali percebemos desde o princípio ao examinarmos o ambiente de confinamento, como toda nossa forma de ver e vivenciar o mundo que nos cerca é até então, no mínimo equivocada. A análise simbológica da câmara das reflexões é um tanto extensa, mas nesta oportunidade, analisarei apenas os três princípios alquímicos, ali existentes, o enxofre, o sal e o mercúrio, que segundo iniciados e alquimistas, encontram-se em todos os corpos, deixando para próximas ocasiões o complemento do estudo.

A Alquimia, etimologicamente, segundo Rui Tinoco de Figueiredo, tem origem egípcia na palavra Kâme, ou “terra preta”, originando em árabe el-kimiá (Alquimia), sendo “a matéria original à qual se trataria de trazer todos os metais, antes de sua conversão em ouro”.

Trabalho Alquimico

A Alquimia pode ser interpretada em uma enorme gama de aspectos, dentre eles, podemos citar, a Alquimia oculta, que se preocupa com o constante renascer para que o iniciado galgue o caminho do conhecimento e aperfeiçoamento até atingir a comunhão com a divindade; a Alquimia mística, que leva o praticante a introspecção e à procura do eu interior e a Alquimia transcendental, que visa a transmutação espiritual e a evolução do eu interior.

Alquimia

Ela existe desde os mais remotos períodos históricos, em praticamente todas as civilizações. Já no século VI a.C. era praticada na China pelos sacerdotes; existem notícias de sua prática na Índia e na Grécia; os árabes, após conquistarem o Egito, a introduziram na Europa onde atingiu o seu clímax na Idade Média. Os Rosacruzes tinham suas raízes na Alquimia, sendo esse o fato que teria influenciado a Maçonaria, a ponto de transformar a “materialidade” de suas concepções em conteúdo filosófico.

A Química de hoje muito deve à Alquimia, pois, após vencerem seus adeptos, um sem número de dificuldades e à custa de muito trabalho, estes descobriram a existência dos ácidos nítrico, clorídrico, sulfúrico, do amoníaco, do álcool, éter, do azul da Prússia e de uma infinidade de produtos até então desconhecidos. Também se nota na nomenclatura química a grande existência de termos de origem alquímica: azoth, vitríolo, nitro, enxofre, mercúrio, sal, etc.

Por volta do final do século XVI, teve grande impulso pela Europa Ocidental, após ser mesclada à Cabala e a fazer parte da doutrina Rosa-Cruz. Em torno do século XVIII, a Alquimia encontrou terreno fértil junto à Maçonaria Francesa, onde foram introduzidas juntamente com outras ciências ocultas, como magia, cabala, astrologia, dentre outras, e, pode-se afirmar, que quase todos os grandes alquimistas nos reinados de Luiz XV e Luiz XVI, foram Maçons. As regras e princípios estabelecidos, se estabilizaram e perduram até nossos dias, mantendo viva a filosofia dos altos graus.

Atualmente, revistas e dicionários maçônicos, referem analogias entre os cargos das Lojas e a terminologia alquímica; Exemplifica-se com a pág. 571 tirado do Dictionnaire de la franc-maçonnerie de D. Ligou (pág. 571): “Citaremos uma interpretação hermética de alguns termos utilizados no vocabulário maçônico: Enxofre (Venerável), Mercúrio (1.º Vigilante), Sal (2.º Vigilante), Fogo (Orador), Ar (Secretário), Água (Hospitaleiro), Terra (Tesoureiro). Encontram-se aqui os três princípios e os quatro elementos dos alquimistas.”

Como representantes da Alquimia em diferentes períodos, podemos citar Roger Bacon, Robert Fludd e Elias Ashmole. Todos pretendiam respostas às suas dúvidas filosóficas. Ashmole, não era propriamente um filósofo de destaque à época, porém sua contribuição maçônica, tornou-o um personagem respeitado, sendo inclusive o organizador de nosso Rito Escocês Antigo e Aceito.

Robert Fludd

Roger Bacon

Elias Ashmole

PRINCIPIOS ALQUIMICOS

Sal Alquimico

O SAL – (matéria da Alquimia) é a energia passiva, princípio feminino, representa a maternidade, é o único princípio regular. É considerado símbolo do conhecimento. Alquimicamente é um princípio de Eros (Deus Grego), em razão de a sabedoria provir da experimentação dos sentimentos. Para alguns alquimistas, era o único elemento apto a combater o demônio. É o princípio atrativo, o magnetismo vital, a força conservadora e fecunda, que matura, que assimila e cristaliza o principio da resistência. Ele nos permite discernir entre erro e verdade, entre vícios e virtudes e nos faz sermos fiéis e perseverantes, firmes em vontade e tenazes em esforços. Em seu aspecto impuro, nos refreia, nos desalenta, dá temor e nos afasta de mudanças e da ação irrefletida e também, de todo progresso, esforço e superação. O sal é elemento de sacrifício, purificação, transformação e mistérios. Em latim, significa “espírito ou gracejo”. A expressão “Sal da Sabedoria” tem raiz pelo fato de fornecer ao indivíduo profundo poder espiritual, representa a ANIMA MUNDI. O sal, também representa a hospitalidade, os antigos romanos o simbolizavam pela amizade, finura, limpeza da alma e alegria. Filosoficamente , o homem é o Sal da Terra, ou seja o elemento que dá “sabor” à Criação. A expressão foi muito usada nas Parábolas de Jesus. Esse elemento é encontrado em toda a Natureza, mesmo onde não existem salinas; animais, vegetais e minerais contêm Sal. Em Cabala, o Sal representa yetzirah e assiah inferiores; Astrologicamente, o Sal é suscetível aos impulsos lunares. Nas câmaras de reflexão de algumas lojas, é simbolizado por um circulo atravessado por uma diagonal horizontal.

Enxofre Alquimico

O enxofre – (fogo da Alquimia), é a energia ativa, princípio masculino, criador, a eletricidade vital, gerador, cuja base ou princípio é similar ao do fogo. Simboliza o ardor e anima o crescimento, expansão, independência e irradiação. É a substância que nos anima e firma nossos passos, é a iniciativa, a vontade da conquista, o que nos capacita a satisfazer desejos e aspirações. Em seu aspecto impuro, o enxofre pode gerar inquietude, inconstância, desejo ardente por mudanças, impulsividade que gera resultados nem sempre desejáveis. Em Cabala. O enxofre representa o Briah Superior e Atziluth Inferior. Astrologicamente, O Enxofre é suscetível aos impulsos zodiacais e cósmicos. O enxofre é simbolizado, em algumas camaras de reflexão, por um triângulo com o vértice voltado para cima e uma pequena cruz grega embaixo.

MercurioALquimico

O mercúrio – (espírito da Alquimia), princípio feminino, é considerado Hermeticamente, como o princípio da inteligência, da sabedoria, símbolo da pureza, vigilância, força moral e coragem. Símbolo do Amor. É o renascimento para a vida espiritual. É o despertar das forças internas adormecidas. É a eterna vigilância, e o triunfo da Luz sobre as trevas O mercúrio é o único líquido de metal cuja propriedade é dissolver outros metais. Ele purifica o ouro; em contato com a matéria prima extraída das minas, dissolve o ouro e aquecido, evapora deixando o metal precioso purificado de outros materiais. É símbolo de purificação. Em cabala, Mercúrio o Yetzirah Superior e Briah Inferior; O Mercúrio, astrologicamente é suscetível aos impulsos solares. É representado na câmara de reflexões por um Galo.

O QUE SE DIZ SOBRE OS PRINCÍPIOS ALQUÍMICOS:

Para Nicolas Flamel, os princípios de todos os metais são o Sal, o Enxofre e o Mercúrio. Isolados nada produzem, mas unidos, originam os diversos metais minerais. A Pedra Filosofal.

Nicolau Flamel

O polêmico místico, mago e ocultista Aleister Crowley em “O Livro de Toth” diz que os alquimistas tinham três princípios similares de energia, de que são compostos todos os fenômenos existentes: enxofre, mercúrio e sal, sendo o enxofre: atividade, energia, desejo; mercúrio: fluidez, inteligência, o poder da transmissão; e o sal, o veículo destas duas formas de energia, possuindo ele próprio possui qualidades que reagem a elas. Ainda segundo Crowley, no ser humano, Sal, Enxofre e Mercúrio, devem ascender pelo canal medular espinal, despertando, assim, todos os poderes que divinizam. Sal, Enxofre e Mercúrio são o «Vitriol» dos Sábios. Somente multiplicando o «Vitriol» se obtem o Ouro para os Corpos Existenciais Superiores do Ser.

Aleister Crowley

Como Blavatsky precogniza em sua obra Iniciação Antiga e moderna, que o processo alquímico que leva à evolução do ser humano, pelo processo de espiritualização, há de fazer nosso corpo denso pela Luz que brilhará internamente. Segundo ela, é fato anatômico conhecido, que a coluna vertebral se divide em três partes, através das quais os nervos motores, sensoriais e simpáticos são controlados. Entre os antigos alquimistas, eles eram designados por três elementos químicos: sal, enxofre e mercúrio.

H. P. Blavatsky

Jacob Boheme nos diz que toda criatura tem sua subsistência no enxofre, mercúrio e sal espiritual.

Jacob Boheme

Charles Veja Parucker assinala: “Em toda composição natural, esses três representam o corpo, o espírito e a alma oculta. Se após purificá-los bem tu os unires, eles deverão, por um processo natural, resultar numa substância extremamente pura.”

O QUE PRETENDIA OU PRETENDE A ALQUIMIA?

Esse é um grande questionamento que todo ser humano que busca o aprimoramento deveria se fazer.

Tem-se divulgado no mundo profano, desde o aparecimento da ciência alquímica, que a mesma visava, através de uma série de processos químicos, a busca do lápis phipolophorum ou pedra filosofal e a transmutação do chumbo ou de metais para fabricação de outro metal mais valioso, em todas as épocas, o ouro; que visava a produção do elixir da longa vida. Se olharmos com mais atenção, nos será revelado aquilo que está oculto e assim o foi deixado de propósito pelos primeiros alquimistas, a Alquimia visava e visa, ainda hoje, a purificação do ser, visa capacitar o homem na aquisição do supremo conhecimento, tanto de si próprio, quanto da realidade que o rodeia, visa efetivamente transmutar o ilusório em real.

Conclusão.

O que respeita à Alquimia, necessita ser compreendido filosoficamente, não em seu aspecto literal, na forma de compostos, ou elementos químicos. Dessa forma, aquele que busca a verdade e a sabedoria advinda do conhecimento, como o proposto pela Maçonaria, deve entender o enxofre alquímico como a Alma, como o princípio que anima a energia e a inteligência. O sal da Alquimia, deve ser compreendido como o corpo físico, sobre aquilo que se destaca sobre as forças psíquicas, de inteligência instintiva, da matéria sólida e as forças inconscientes. O mercúrio da Alquimia, é a força da vida, predomina nas forças instintivas e energia psíquica e figura como ponte entre as forças do enxofre(superiores) e do sal(inferiores).

A pedra filosofal de cada um deve conter os três princípios, e além, esses princípios devem como preconizavam os alquimistas, serem puros e perfeitos, para que a pedra funcione a contento. Entende-se, assim, que matéria-prima para a realização da Grande Obra, é interna e ali deve ser encontrada, e aprimorada pela arte e pelo fogo sagrado do nosso laboratório orgânico. O ouro que necessitamos é a perfeição humana, através do aprimoramento de nossa cultura intelectual e moral. Precisamos migrar do estado de ignorância, imoralidade e barbárie, para a instrução, a moralidade e a civilidade.

O sal e o enxofre, constantemente estão em nossos passos no caminho da existência. Progresso, felicidade e paz, dependem da capacidade de encontrar em todos os momentos, um equilíbrio justo e perfeito nessas tendências, que são opostas, não deixando nenhuma predominar sobre a outra, buscando em cada uma das substâncias, suas melhores qualidades, como diz o Ir.’. Aldo Lavagnini “o ardor reflexivo e a paciência iluminada, o entusiasmo perseverante e a serenidade inalterável, o esforço vigilante e a firmeza incansável”, para ativar o mercúrio vital ou princípio da Inteligência, que já se encontra em nosso interior. O mercúrio deve ser utilizado para realizar a amálgama (amor fraterno) entre enxofre e sal, como único elemento a nos capacitar para a transmutação da ignorância, do erro, do temor e da ilusão, em Sabedoria, que noz faz perceber a Verdadeira Luz.

O homem de ouro, produzido por essa Alquimia, é extremamente necessário nos dias de hoje e cada alquimista deve descobrir a própria fórmula para a ele chegar. Esse homem de ouro, certamente resulta de um coração que extravasa amor, do estudo e do conhecimento, é o atingir a Sabedoria plena.

Sobre omeganeo

"Três coisas agradam a todo o mundo: gentileza, frugalidade e humildade. Pois os gentis podem ser corajosos, os frugais podem ser liberais e os humildes podem ser condutores de homens."
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